quarta-feira, 18 de março de 2009

A Igreja continua armada em burro a olhar para um palácio

Estamos no ano 2008 depois de Cristo. Todos os países tem uma mentalidade mais aberta… Todos? Não… Uma cidade-estado povoada por irredutíveis católicos de antanho ainda resiste à mudança. E a vida não é nada fácil para os seus fiéis que se encontram espalhados pelo mundo fora…

É inacreditável como o tempo passa. A humanidade pula e avança e a Igreja continua estagnada. Mas vamos por partes. Recuemos ao ano de 1992 quando o cartoonista António lançou à estampa na revista do Expresso aquele que viria a ser o seu mais conhecido trabalho: “o Preservativo Papal”. O objectivo criticar a proibição que o Papa João Paulo II havia feito aos seus fiéis de não usarem o preservativo. A polémica fez estalar o verniz dos católicos mais fervorosos que se insurgiram com tamanha afronta a Sua Santidade. Os ânimos foram arrefecendo com o passar do tempo. E julgo que se fosse hoje, o impacto seria muito menor. Pois o número de fiéis tem decrescido a olhos vistos. Mas já lá iremos. O Papa João Paulo II morreu. Rei morto, Rei posto. Sucedeu-lhe Bento XVI. As mudanças que muitos desejavam que entrassem na Santa Sé não ocorreram, tendo-se verificado exactamente o oposto – o recurso a tradições provenientes de tempos imemoriais e impregnadas pelo cheiro a bafio e a mofo. Ora tal facto afasta os fiéis mais progressistas e faz com que os sermões, orações e outras argumentações vindas da janela do Papa não tenham o impacto de outrora, pois cada vez são menos os que atentam no que afirma e recomenda Sua Santidade. Ao que parece nada disso parece importunar e demover o Papa, pois ainda é capaz de vir a público proferir afirmações tão desconexas como as que acabe de proferir nos Camarões: "Não se resolve o problema da sida com a distribuição de preservativos. Pelo contrário, o seu uso agrava o problema." .

terça-feira, 17 de março de 2009

Fotografia: A Sombra

Ainda a Greve

Sobre a manifestação / greve de sexta-feira continua a gastar-se muita tinta e a perder-se muito tempo de antena. Algo que já não não me deveria fazer muita comichão, já devia estar conformado... Mas não me conformo. Irra para isto tudo! Cada vez mais acho que quem tem razão são os Mão Morta e por dois motivos: "Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável" e ainda "(...) sem discernirem que, contrariamente ao mundo observado directamente, em que a relação com o real é absoluta, estão a consumir meros resumos simplificados da realidade, manipulados num fluxo de imagens de que são simples espectadores e cuja escolha, cadência e direcção não controlam nem têm possibilidade de verificar a veracidade e em que, finalmente, no frenesim meticulosamente planeado de dados surpreendentes, o que verdadeiramente importa se mantém secreto. o que importa é saber onde raio se oculta o poder"

Temo que as ramelas nos olhos dos portugueses seja um mal de antanho que já mais seja curado.

sábado, 14 de março de 2009

Greve

O direito à greve está consagrado na nossa legislação. Por isso a greve de ontem é legítima, mais legítima se torna com o cenário de crise económica e financeira. Mas, duas dúvidas assaltam-me o espírito e não conseguia deixar de as mencionar: porque uma greve a uma sexta-feira (é um erro que volta-e-meia os sindicatos gostam de repetir) e quando será que as pessoas começaram a questionar-se o que tem feito para melhorar a sua vida profissional. Deixem de ser empregados e passem a ser trabalhadores. A nação agradece.