quinta-feira, 30 de julho de 2009

Que livro é você?

Confesso que não tenho grande paciência para os testes que se multiplicam na Internet. Não obstante, aceitei o repto de um e-mail que recebi e o resultado foi o que se segue em baixo e que achei deveras interessante.

Quem quiser fazer o teste experimente aqui.


"Morte e vida severina", de João Cabral de Melo Neto

Às vezes você tem uma séria vontade de estapear as pessoas, só para fazê-las acordarem e perceberem as injustiças deste mundo. Como podem viver em seus mundinhos banais, quando há quem passe fome e totalmente à margem de qualquer conforto ou assistência? Esta talvez seja a sua maior revolta. Por isso, você tenta fazer a sua parte. Talvez por meio de um trabalho voluntário, participando de movimentos populares ou somente se exaltando em rodas de amigos menos engajados. De qualquer maneira, você consegue de fato comover pessoas com seu discurso apaixonado e, ao mesmo tempo, baseado numa lógica de compaixão e igualdade que ninguém pode negar.
Essa missão é mais do que cumprida pelo belo "Morte e vida severina" (1966), poema dramático escrito pelo pernambucano Melo Neto que se tornou símbolo para uma geração em conflito com as consequências sociais geradas pelo capitalismo selvagem

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Soneto: Tudo acaba. Esse Monstro carrancudo

Tudo acaba. Esse Monstro carrancudo,
Próle do Avérno, effeito do Peccado,
Tudo a cinza reduz, brandindo, irado,
Com sanguinosas mãos o ferro agudo.

Oh fatal Desengano, horrendo, e mudo,
Em pavorosos marmores gravado!
Oh letreiros da Morte! Oh ley do Fado!
He verdade, he verdade: acaba tudo.

Eis o nosso miserrimo Destino:
Assim o ordena quem nos Ceos impéra;
Basta, adoremos o Poder Divino.

Reprime os passos, caminhante, espera,
E no Epitafio do infeliz Jozino
Lê o teu nada, o que tu és pondéra.

Elegia: Horridas sombras, horridos vapores

Horridas sombras, horridos vapores,
Que enlutais estes ares carregados
Por onde vão fogindo os meus clamores;

Sinistras Aves, que funestos brados
Espalhais de Cyprestes luctuosos,
Pela negra Tristeza bafejados;

A vós consagro os prantos dolorosos,
Que meus olhos derramão contra a dura,
Antiga ley dos Fados poderosos;

Antiga ley, que á feia sepultura
Arroja sem respeito, e sem piedade
A Virtude, a Grandeza, a Formosura!

Aspera ley, que a pobre Humanidade
N'um momento, n'um átomo arremessa
Ao centro da medonha Eternidade!

Tremendissima ley, que tão depressa
Troca em ais, e desgostos a alegria;
Troca a Purpura em luto, o solio em Eça.

Ah! Nunca amanhecera o cruel dia,
Esse dia fatal, que tu seguiste,
Noite de espanto, noite de agonia.

Téjo, que foste da Tragédia triste
O Theatro infeliz, que he do Thesoiro,
Que a meus olhos saudosos encobriste?

Ah! Não blazones das arêas de oiro,
Se em ti contens o Heróe, que ao proprio Marte
Esperava ganhar a palma, o loiro.

Jozé, que, reunindo a força, e a Arte,
Feros Brutos indómitos domava,
Sendo assombro de tudo em toda a parte;

Jozé, que os luzos Póvos alegrava,
E que, sem recordar-se da grandeza,
A todos brandamente agazalhava;

Jozé, com quem a sorte, e a natureza
Forão tão liberaes, e em quem luzia
Resto feliz da gloria Portugueza.

Oh lugubre Destino! Oh Morte impia!
Illustre, e velho Pai! Tua amargura
Quão rigorosa, quão cruel seria!

A macilenta clotho, a Parca dura
Te roubou para sempre o Filho amado,
O doce objecto da maior ternura.

Queixa-te, he justo, queixa-te do Fado,
O negro caso deploravel chora,
Em nossas faces pela Dor gravado;

Pragueja aquelle Monstro, que devora
Os miseros mortaes, dize-lhe... ah! antes
Antes a summa Providencia adora.

Adora a quem nos Astros scintilantes
Erigio, colocou seu Throno eterno,
O supremo Senhor dos Ceos brilhantes,

O Justo Deos, que com poder superno
Escondeo, ferrolhou perpetuamente
Os rebeldes espiritos no Inferno.

Elle, movendo o braço Omnipotente,
O filho te chamou, que merecia
Gloria immortal no Empireo reluzente.

Basta, excelso Marquez. Tua agonia
Pela Fé seja em fim modificada,
E por huma Christãa Filosofia.

Que tambem na minha alma atribulada
Oiço o rizo da candida Esperança,
Sinto a terrivel Dor mais aplacada.

E tu, Alma gentil, que na lembrança
Tão presente me estás, Alma ditosa,
Entre os Córos Angelicos descança.

Não precisa de lagrimas quem goza
De eterna, de immortal Felicidade,
Por isso he nossa dor infrutuosa;

Porém, com tudo, lá da Eternidade,
Do centro da Ventura mais perfeita,
Se te he possivel, feliz Alma, aceita
Próvas de Amor, effeitos da saudade.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Escrito por encomenda: Moonwalk on Paradise

Incrível!

De acordo com esta noticia a autobiografia de Michael Jackson foi escrita na China em 48 horas. Para mim resulta estranho que uma dupla de escritores consiga uma produção escrita tão rápida e coerente em tão pouco tempo.